Barreiras e facilidades na dependência químca em mulheres São Paulo | Calhas e Coifas São Paulo

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Barreiras e facilidades na dependência químca em mulheres
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Barreiras e facilidades na dependência químca em mulheres

Apesar do aumento da prevalência no consumo de drogas lícitas e ilícitas, a porcentagem de mulheres que recebeu algum tipo de tratamento especializado caiu de 2,5%, em 2001 para 1,6%, em 2005. Estudo recente com 370 mil usuários de crack nas capitais e regiões metropolitanas do
Brasil, mostrou que somente 21,3% são mulheres.

O Plano Nacional de Políticas para as Mulheres entre 2013-2015 incorpora o compromisso de inserção de mulheres usuárias de substâncias
psicoativas (SP) na rede de serviços de saúde
, a cargo de medidas tomadas pelo Ministério da Saúde.

Apesar do avanço com a definição da Política Nacional de Drogas - PND de 2010, o país não avançou na devida atenção às necessidades de mulheres
usuárias de drogas em suas especificidades, não estabelecendo diretrizes quanto à captação e retenção dessa clientela nos espaços de tratamento. Segundo o consenso mundial sobre tratamento de mulheres usuárias de drogas, desenvolvido pelo Escritório das Nações Unidas contra as Drogas
e Crime - OFNUDC, as mulheres têm, em geral, problemas mais graves quando iniciam o tratamento e encontram mais obstáculos que os homens para
acessá-lo, e o receio em procurar ajuda chega a 2% comparado aos homens que é de 8%.

Muitas barreiras estão envolvidas, como estigma, preconceito da sociedade, das próprias mulheres, dos profissionais de saúde, da falta de treinamento destes, resistência em abordar o tema, falta de planejamento e implantação de serviços específicos e atrativos que considerem as necessidades fisiológicas, psicológicas e sociais.

As barreiras encontradas pelas mulheres para o tratamento podem ser internas, tais como: a negação da severidade do problema com a bebida, a
consideração que o tratamento é ineficaz, o medo de estigmatização por parte dos familiares e profissionais, a preocupação sobre a perda da guarda dos filhos por estarem em tratamento, culpa, vergonha, medo de transtornar a família e sofrer represálias dos companheiros, também usuários de drogas.

As barreiras externas estão relacionadas aos assuntos interpessoais, como: a oposição de familiares e amigos, a desaprovação social, o custo social do
rompimento com familiares, o desencorajamento de parceiros/maridos/família, o treinamento inadequado de grande parte dos profissionais de saúde na
detecção de problemas com álcool e drogas, a falha no encaminhamento para um serviço especializado, a falta de serviços de tratamento apenas para mulheres que necessitam de cuidados com filhos e falta de recursos econômicos.

Posto isso, tem-se por objetivo identificar as barreiras e facilidades encontradas por mulheres usuárias de Substâncias Psicoativas (SP), na busca
de tratamento especializado para dependência química num Centro de Atenção Psicossocial. Postula-se que, ao identificar barreiras e facilidades
no acesso ao tratamento, medidas de enfrentamento possam ser (re) pensadas. É oportuno sinalizar que a literatura sobre o objeto de estudo investigado ainda é incipiente no país.

Barreiras e facilidades na dependência químca em mulheres